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História do Incenso

O cenário onde essa história tem início inclui regiões como o Oriente Médio e Norte da África. Foi a partir daí que o incenso de resina, extraído do tronco de algumas árvores originárias dessas regiões, começou a se difundir e conquistou status de uma das mais sofisticadas e valiosas substâncias no mundo civilizado. Como um presente digno de reis e com valor equivalente ao ouro, em sua trajetória o incenso chegou a ser objeto de cobiça de grandes culturas.

Por quase dois mil anos comerciantes árabes conduziram grandes caravanas de camelos ao longo de trajetos que se estendiam por quase quatro mil quilômetros, mais tarde, esta via foi chamada A Rota do Incenso. Em linhas gerais a Rota saía de Omã, descia para o Iêmen, Aden e subia para a costa ocidental da Arábia Saudita, através de Petra, uma fortaleza quase impenetrável, e então seguia para a Terra Santa, de onde grandes quantidades de incenso de resina eram expedidas para os impérios do velho mundo. Algumas dessas caravanas compreendiam mais de mil camelos, carregando mais de 200 quilos de incenso, cada. Era uma jornada perigosa que passava por montanhas rochosas e por desertos extremamente áridos, a Rota do Incenso foi tão percorrida que pode ser identificada por imagens de satélite.

O comércio do incenso era sagrado, cheio de riscos e de lendas, e seu uso perde-se no tempo.

Diz-se que a Rainha de Sabá construiu um palácio no antigo porto de Zafar, agora Salalah, Omã, para onde ela viajava para comprar incenso.

Heródoto descreveu um grande número de criaturas parecidas com pterodátilos guardando árvores de incenso de resina na Arábia, tornando sua colheita um perigoso desafio. Disfarçados em pele bovina, os lavradores espantavam as ‘criaturas’ com fogo e fumaça odorosa. As valiosas árvores que derramariam lágrimas de bálsamo seriam guardadas por ferozes serpentes aladas que fariam um ataque letal ao intruso que se aproximasse.

Em Alexandria o incenso era tão valioso que os escravos que o colhiam eram obrigados a trabalhar quase nus, usando apenas uma pequena tanga, para não o roubarem em suas roupas. Havia reis que pagavam por suas esposas favoritas seu peso em incenso.

O ápice do comércio de incensos de resina se deu durante o Império Romano, no primeiro século a.C. - o imperador Nero, por exemplo, costumava queimar enormes quantidades dessa preciosa substância em cerimônias religiosas.

Durante o feudalismo, o "direito de incenso" era o privilégio do Senhor de ser incensado durante as cerimônias, como são os eclesiásticos no altar-mor das igrejas.

Em toda a antiguidade a resina perfumada não era queimada somente nos templos. Seu uso era comum também nas casas, onde cumpria o papel de higienização do ambiente.

Considerada uma das mais antigas formas de purificação, e como símbolo de festividade, de  honra, respeito ou sacrifício, a incensação tem sido parte de várias tradições religiosas - do cristianismo ao hinduísmo, dos índios americanos aos monges budistas do Tibet, dos mulçumanos aos africanos.

É considerado um instrumento para levar paz ao coração e aplacar tensões, predispondo à meditação e acendendo nos ânimos o fervor que favorece o contato com a divindade.

Entre os cristãos, o incenso foi adotado como ritual simbólico em celebrações durante o século IV.

Desde o século IX, instaurou-se o uso do incenso no início da Missa e desde o século XI o altar se transformou no centro da incensação. O turíbulo era também levado na procissão junto com o evangeliário. Em seguida, o ritual estendeu-se às oferendas do pão e do vinho, que são incensadas três vezes em forma de cruz, da mesma maneira como se procede com o altar e a comunidade litúrgica. Desta forma, nasceu a tríplice incensação durante a Missa, praticada também hoje de maneira regular no Oriente e, entre nós, somente nas festas solenes.

O incenso deve envolver uma atmosfera sagrada de oração que, como uma nuvem perfumada, sobe até Deus. O movimento do turíbulo em forma de cruz recorda principalmente a morte de Cristo e seu movimento em forma de círculo revela a intenção de envolver os dons sagrados e de consagrá-los a Deus.

Atualmente se incensa na Missa quando se deseja ressaltar a festividade do dia, imagens da Cruz ou da Virgem, a Bíblia e as oferendas sobre o altar, os ministros e o povo cristão no ofertório, o Santíssimo após a consagração ou nas celebrações de culto eucarístico.

O incenso também é queimado como um gesto de honra ao corpo de um falecido nas exéquias, ou como um símbolo de oferenda sacrifical no ofertório, como o pão e o vinho.

Seja para celebrar, purificar, honrar, ofertar ou agradecer, nos dias de hoje o incenso continua tendo um extraordinário e poderoso valor simbólico, sempre associado à plenitude da fé e à elevação espiritual.